quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Identidade de Filho – Uma vida pela fé (Parte 1) - Gálatas 3:1-5

IDENTIDADE, PODER E MISSÃO (Parte 3)
Identidade de Filho – Uma vida pela fé (Parte 1)
Gálatas 3:1-5

A igreja da região da Galácia, uma província romana, que compreendia as regiões de Antioquia da Pisídia, Licaônia (Listra, Icônio e Derbe) e Frígia (Atos 13:13-32 – Atos 14) recebe uma influência negativa de pessoas que queriam que os cristãos seguissem práticas da lei para serem justificados diante de Deus. A grande questão aqui é quem são os filhos (descentes) de Abraão e, portanto, os verdadeiros herdeiros das promessas feitas a ele (Genesis 12:3)? Paulo responde que inclusive os gentios, se tiverem a fé como a de Abraão, é que dessa maneira são livres e não escravos. Eles se tornaram assim pela fé em Cristo e pelo Espírito. A compreensão desse assunto é revolucionário para o nosso relacionamento com Deus e para o modo como vivemos a nossa vida cristã.

1.O filho nasce pela fé (v.2)
“Recebeste o Espírito pelas obras da Lei ou pela pregação da fé?”
O Pastor Eugene Peterson, autor da versão da Bíblia “A Mensagem” traduz da seguinte maneira: “Como começou a nova vida de vocês? Foi resultado do esforço para agradar a Deus? Ou foi por terem aceitado a Mensagem de Deus?”.  A fé é a única condição para sermos perdoado. Sem fé ninguém se justifica. Somente a fé é suficiente para a justificação. Foi o que ocorreu com o ladrão da cruz (Lucas 23:43). Quero me fazer valer de John Wesley para explicarmos essa fé:
a.Que tipo de fé salva? Vamos descrever que tipo de fé não é: I) Não é a fé do não crente. O não crente crê que Deus existe, mas isso não é suficiente; II) Não é a fé do diabo. A fé dele vai muito mais além de um não crente. Ele diz: “Bem sei quem és, o Santo de Deus” (Lucas 4:34). Ele crê e estremece (Tiago 2:19) e conhece as Escrituras, mas só vai até aí, não é suficiente para a salvação; III) Não é a fé dos apóstolos enquanto Cristo esteve com eles em vida. Apesar de “deixarem tudo para segui-lo” (Marcos 10:28), operar milagres, curar todo tipo de doença, ter poder e autoridade sobre os demônios e pregar o Reino de Deus, ainda isso não era suficiente para serem salvos. b.Qual é, então, a fé mediante a qual somos salvos? A fé em Cristo! O pagão pode ter fé, mas se não for em Cristo, não é suficiente. A fé do diabo não gera nele uma disposição de coração para confessar no seu coração e crer que Deus o ressuscitou para salvação. Para os apóstolos serem salvos pela fé, era necessário reconhecer a necessidade e o mérito da sua morte e o poder de sua ressurreição. A fé que salva é aquela tem plena confiança no sangue de Cristo, uma confiança nos méritos de sua vida, morte e ressureição! É uma segura confiança em Deus, que através dos méritos de Cristo, seus pecados estão perdoados e de que fomos aproximados a Deus pelos méritos de Cristo! Somos salvos do pecado original (queda de Adão e Eva) e atual, salvos da culpa e do poder do pecado, salvos do medo da punição e salvos do medo da ira de Deus, pois, somos filhos! Veja Atos 4:12! c.Paulo apela para a experiência de conversão dos crentes da Galácia. Portanto, uma vez que a salvação é pela fé em Cristo, Paulo apela para a memória dos crentes da Galácia e os confronta: “Como começou a nova vida de vocês? Foi resultado do esforço para agradar a Deus? Ou foi por terem aceitado a Mensagem de Deus?” Foi por obras da lei ou pela pregação da fé? Quando lemos Atos 13:38-39 vemos que Paulo explica que é crendo em Cristo que se é justificado. Em Atos 13:48 afirma que eles creram em Cristo para a vida eterna. Por isso ele pergunta: “Vocês nasceram, ou seja, passaram a crer pela fé ou por obras da Lei?” Para nascer do Espírito (João 3:3) tem que crer em Cristo. Somente a fé.

2.O filho se desenvolve e cresce pela fé (v.3)
“Tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?
O Pastor Eugene Peterson, autor da versão da Bíblia “A Mensagem” traduz da seguinte maneira: “É preciso perder o juízo para pensar que é possível completar por esforço próprio aquilo que foi iniciado por Deus. Se vocês não foram capazes o bastante para começar a obra de Deus, acham que podem aperfeiçoá-la?”. Por que a vida cristã não pode ser desenvolvida pelos nossos méritos, mas pelos méritos de Cristo? Por causa do nosso orgulho! Agir pela fé nos méritos de Cristo quebra o nosso orgulho. Quando o homem quer se aperfeiçoar para ser como Deus, ele faz o mesmo que Adão e Eva. Ele age movido pelo orgulho e não por humildade. Por isso é necessário fé. A vida cristã deve ser vivida da mesma maneira como a recebemos, pela graça!
Viver uma vida pela fé é viver uma vida na graça. A graça não se trata de um conjunto de doutrinas e regras, mas de uma pessoa. Portanto, Paulo vai escrever “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai Nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graça”. (Colossenses 2:9). Veja comigo Colossenses 2:8-15. “Também, nele, estais aperfeiçoados” (Colossenses 2:10 a). Portanto, é obra da fé, é ação da graça de Deus! Quando casei com a Andréa ela invadiu meu guarda-roupa, mudou meus hábitos a tal ponto de nos tornarmos parecidos um com o outro. É um relacionamento de convivência que nos transforma. Com Deus é assim! O filho convive com o Pai e se torna como Ele. O servo vive para gradar o chefe e sabe que jamais conseguirá se tornar como o chefe. Como um filho ora, como você se apresenta diante do Pai? Como um escravo ora, como ele se apresenta diante do chefe? Os gálatas não estavam vivendo mais a graça, mas a lei. A graça é uma pessoa, as regras são prescrições. E u me torno como o meu mestre! Isso é santidade, isso é se desenvolver pela fé. Relacionamento com Deus que me transforma e não regras.

3.O filho suporta provações pela fé (v.4)
Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes?
O apóstolo Paulo lembra bem como foi seu ministério na região da Galácia. Em Atos 13:50 está registrado que os judeus instigaram as mulheres piedosas e de alta posição e os principais da cidade e levantaram perseguição contra Paulo em Antioquia da Pisídia. Paulo teve que sair fugido de Icônio para Licaônia (Listra e Derbe) porque queriam apedrejá-los. Em Listra foi apedrejado e dado como morto (Atos 14:19). E não desistiu! Antes, “Tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”. (Atos 14:21-22)
A provação é um aspecto que faz parte do aperfeiçoamento da fé como filhos de Deus. Grande parte da igreja conhece a história da entrega que fizemos da Giovanna a Deus. O filho confia e descansa na vontade do Pai. Por que Abraão foi justificado pela fé? Vejamos Gênesis 22:1; 8; 14. O filho que confia no Pai sempre dirá: “Deus proverá para si”. Leia Hebreus 12:1-3; II Coríntios 12:7-10. “A minha graça te basta”. Você é filho! 
    
 4.O filho vive milagres pela fé (v.5)
Aquele...que opera milagres entre vós...o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?
Paulo continua apelando para a experiência dos Galátas. Em Icônio, registrado em Atos 14:3 lemos: “Entretanto, demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra de sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios.” Em Listra enquanto Paulo pregava a mensagem da fé em Cristo um coxo foi curado e passou a andar (Atos 14:9-10). Ninguém pode receber coisa alguma de Deus com base em sua justiça própria, em seu merecimento pessoal. Por isso que muitos não recebem, pois estão tentando merecer. A benção de Deus é somente para aqueles que reconhecem que nada merecem e por isso dependem completamente da graça de Deus. Todas as pessoas que receberam milagres de Cristo enquanto Ele esteve na terra, nenhuma delas mereceu. Elas receberam por causa da Sua graça. Preste atenção: Se você olhar para a graça de Deus, Ele olhará a sua fé. Vamos ler o último texto deste sermão. Mateus 8:5-10 – Vemos que o centurião não estava debaixo da Lei, pois ele não era da aliança, era gentio. Mas, recebeu o milagre por quê? Porque ele está debaixo da graça. Ele não procura merecer, mas Jesus viu sua fé. Deus tem milagres para você, mas não porque você merece, mas porque você confia na Sua bondade e graça.
 

Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Uma vida sob o favor do Rei - II Samuel 9:1-13

Uma vida sob o favor do Rei
II Samuel 9:1-13

Mefibosete era descendente real. Ele era neto de Saul, filho de Jônatas com quem Davi havia feito uma aliança (I Samuel 18:1-3). Quando Mefibosete tinha 5 anos de idade, chegara a notícia de Jezreel de que Saul e Jônatas estavam mortos. Então, sua ama (ou babá) o pegou e fugiu, mas na pressa de escapar, ela caiu, e o menino ficou aleijado. O rei Saul e Jônatas estavam mortos e Davi era o rei. Era costume naqueles dias que quando uma nova dinastia se iniciava, o rei eliminava a família de seu antecessor, especialmente os homens.
Agora, o rapaz é órfão, perde sua condição real, perde sua saúde e vive escondido num povoado simples chamado Lo-Debar.
Entretanto, chegaria um dia em que a vida de Mefibosete mudaria completamente e para sempre, pois, um dia ele receberia o favor do Rei, pois Davi agiria com graça.
Amados, graça é o favor imerecido de Deus. Graça é o poder revelado no Evangelho. Não tem como pagar e ela é escandalosamente cheia de amor.
Quem não experimenta a graça ou limita o poder da graça não desfruta da sua condição de filho. A graça de Deus é o seu favor sobre nós para que recebamos perdão dos pecados (Romanos 5:8-9), para que nasçamos para uma nova vida e uma nova disposição no coração (Colossenses 3:10), que nos tornou Seus filhos (Gálatas 4:4-7) e para que sejamos puros e retos diante de Deus em santidade (I Coríntios 6:11). O diabo quer que você viva segundo o seu próprio esforço e baseado no seu próprio merecimento, mas Deus quer que você desfrute da graça.
Veremos na história de Mefibosete que a graça de Deus se manifesta como um grande favor de um generoso Rei sobre a sua e como Deus, o Rei soberano manifestou a sua graça sobre as nossas vidas. Mefibosete é um Tipo (modelo/arquétipo/padrão) do Pecador Resgatado e é sobre isso que queremos discorrer nesse dia.

1.O Rei quer que você desfrute de sua bondade (v.1)
“Resta alguém para que use eu de bondade para com ele?”
Certamente Davi está maravilhado com a graça de Deus sobre a sua vida. Ele lembrará de sua aliança com Jônatas (I Samuel 18:3) e manda chamar chamar Ziba que é um servo de Saul para saber se ele poderia usar de bondade com algum descendente dessa família real. Mefibosete seria alvo da graça de Davi. Entretanto há algo mais profundo aqui que é a história da graça de Deus para conosco.
a.A graça começa no trono e nos encontra nos lugares desertos. Davi está no trono, mas seu coração impelido por bondade e graça quer chegar onde estão os descendentes de Saul. O homem pode estar na sua pior condição, entretanto “Quem há semelhante ao Senhor, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra?” (Salmo 113:5-6). O Senhor nosso Deus, que é Rei soberano, está olhando para você. Seu olhar de graça vai até as regiões mais profundas. “Para onde me ausentarei do Teu Espírito?” (Salmo 139:7-10).
b.A graça foi fruto de uma aliança (II Samuel 18:3; II Samuel 3-4). Por causa da aliança de Davi com Jônatas, ele resolveu usar de bondade para com Mefibosete. Vale ressaltar que Saul foi um grande inimigo de Davi, entretanto, Davi usou de graça para com seu descendente. Mefibosete teve tudo sem merecer coisa alguma. Tudo o que Mefibosete teve foi por causa de uma terceira pessoa. Ele foi chamado a estar na presença do Rei e foi exaltado por causa dos méritos de outro, isto é, seu pai Jônatas (II Samuel 9:5; 7). “E é por meio de Cristo que temos tal confiança em Deus.” (II Coríntios 3:4). “Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.” (Hebreus 9:15). O Senhor está perguntando se há algum filho de Adão para que ele possa usar de bondade. Cristo instituiu a nova aliança e, por isso, temos o favor do Rei.
c.A graça nos dá acesso à herança pelos méritos de outro. Quando Davi se deparou com Mefibosete, mandou chamar o servo de Saul e lhe disse que tudo o que pertencia a Saul e toda a sua casa lhe seria restituído (II Samuel 9:9). Satanás trouxe desgraça sobre a humanidade, mas Deus fez uma nova aliança conosco por meio de Seu Filho Jesus Cristo e, por causa desta aliança, Ele não apenas se lembrou de nós, mas exaltados por causa do mérito de Cristo, o Pai nos torna participantes da Sua herança! “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo” (Romanos 8:16-17a). Nossa herança é a restauração da nossa condição de filhos conforme a imagem de Cristo, não mais escravos do pecado e livres para vivermos como filhos!

Deus não está procurando quem merece, mas a graça de Deus se estende a quem não merece. Deus quer derramar uma porção da sua bondade sobre você. Desfrute de Sua bondade.

2.O Rei quer endireitar o seu andar (v.3)
Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés”
Na palavra de Deus, o nosso andar é um símbolo de nossa conduta. Mefibosete simboliza o nosso andar defeituoso. Entretanto, Davi não olhou para as características de Mefibosete para abençoa-lo. Mesmo com deficiências, Mefibosete recebeu da bondade do Rei.
A palavra de Deus em Romanos 3:9-18 descreve a condição de toda a humanidade. Não há nenhum justo. Em Jeremias 17:9 diz que o nosso coração é desesperadamente corrupto. Portanto, se não for por uma ação de Deus, um convite da graça de Deus, nenhum homem poderá se salvar porque estão aleijados, sem a condição de filhos, desprovidos da herança e humilhados como Mefibosete. Mas, assim como Davi procurou e convidou, Deus também procura e convida. É por causa Dele que respondemos ou não à uma mudança de vida: “Ou desprezas a riqueza de sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” Romanos 2:4. “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí”. Jeremias 31:3 Essa passagem de Jeremias não te lembra algo? O Pai do filho pródigo restaurando a sua condição de filho. Eu respondo à graça de Deus e ela é quem me transforma.
É a graça que endireita os nossos pés. Muitos acreditam equivocadamente que ser cristão é viver cada dia tentando se transformar, se fazer melhor. Mas isso está longe da verdade! Eu confio no amor do Pai que me domina, e por meio do Seu Espírito, sou transformado. (II Coríntios 5:14).

3.O Rei quer tirar você do lugar de sequidão e esquecimento (v.4)
“Em Lo-debar...”
Lo-Debar significa “lugar de sequidão, esquecimento, sem pasto, estéril, desolado.”
a.A graça vai aonde você está. Jesus encontrou a Pedro no barco, mas Jesus também entrou Paulo a caminho de Damasco. O filho pródigo foi alcançado pela graça estando cuidando de porcos. Vivendo em Lo-Debar, Mefibosete nunca teria coragem de procurar o rei, mas é o rei que manda seus servos busca-lo. Jesus quer ir ao teu encontro, qual seja for sua condição. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:44). É GRAÇA DE DEUS!
b.Não volte para Lo-Debar. Ao abraçar novamente o pecado, voltamos para o lugar da sequidão e solidão. Se você abraça o pecado, sua mente cauteriza! Não apenas o pecado nos leva a Lo-Debar, mas o medo nos mantém em Lo-Debar. Criamos uma imagem errada de Deus e não desfrutamos da nossa identidade de filhos! “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor(Colossenses 1:13) e “juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.” (Efésios 2:6)

4.O Rei quer que você se assente à mesa (v.7; 11)
“Tu comerás pão sempre à minha mesa”
Ao trazer Mefibosete para o palácio, Davi restaura a sua real condição. Esse rapaz era de linhagem real e havia perdido sua identidade verdadeira. Deus nos fez à sua Imagem e conforme a à sua semelhança, mas como vimos o pecado quebrou essa condição. Mas, em Cristo, Deus restaura a nossa condição de filhos e nos assentar à mesa. Somos agora “nação santa, sacerdócio real, povo de propriedade exclusiva de Deus” I Pedro 2:9a.  
Assentados à mesa, agora comemos do pão da vida! Comemos verdadeira comida e bebemos verdadeira bebida (João 6:55). Comer deste pão é alimentar-se da vida! “Eu sou o pão da vida”. Ele tem um pacto conosco (João 6:53).

Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

IDENTIDADE, PODER E MISSÃO (Parte 2) - Identidade de Filho

IDENTIDADE, PODER E MISSÃO (Parte 2)
Identidade de Filho – Marcos 1:11; Lucas 15:25-32

Na semana passada observamos que o propósito de Deus em enviar Cristo é a de nos tornar seus filhos e sermos instrumentos para gerar filhos para Ele através do ministério da reconciliação. Para cumprir sua missão Cristo ficou firmado em sua identidade de Filho, o que o levou a romper com o lugar das improbabilidades, Nazaré e recebeu revestimento do alto para cumprir a sua missão. Vemos nisso o modelo para que vivamos a nossa nova identidade, recebamos poder e cumpramos a missão recebida do Pai.
Hoje quero me focar no verso 11 de Marcos que diz: “Tu és meu filho amado; em Ti me comprazo” e fazer um paralelo com o irmão do filho pródigo, o filho mais velho.
Uma vida cristã frutífera, marcada pelo poder de Deus e engajada na missão acontece a partir de quem nós somos em Deus. Quero lhe perguntar: Você vive como filho ou como escravo na casa de Deus? Existe um perigo muito sério de estar na casa do Pai, dentro da igreja, e mesmo assim estar perdido.
Façamos um paralelo entre viver como filho e viver como servo/escravo. Que lições podemos aprender?

1.Quem é filho é livre, mas quem é escravo não (v.29)
“Há tantos anos que te sirvo”
O irmão mais velho do filho pródigo vivia como escravo e não como filho e livre. O verbo aqui é douleo, que significa servir como escravo. Ele nunca entendeu o que é ser filho. Ele obedece por medo ou para receber elogios. Faz as coisas certas com motivação errada. Fazendo um paralelo com o início do ministério de Jesus, observamos que o Pai lhe chama de Filho amado e diz ter prazer Nele, entretanto, Jesus ainda não havia começado o seu ministério. Como Deus pode ter prazer em alguém que não está fazendo nada para Ele? O que agrada a Deus, portanto, não é o nosso serviço, mas a nossa relação com Ele como filhos. Veja comigo Gálatas 4:6-7 “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai”. De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”.

2.O filho é participante da herança, mas o escravo não (v.31)
Então, lhe respondeu o pai: [...] tudo o que é meu é teu
Pastor Aloisio escreve algo muito interessante: “Esse tipo de pessoa é aquela que vive dentro da igreja, mas não se sente participante da herança do Pai. O filho era rico, mas estava vivendo na miséria. Muitos hoje estão vivendo um cristianismo pobre. Vivem sem alegria, sem banquete, sem festa na alma, trabalhando e até servindo, mas sem alegria.” O Pai tem vida abundante para você.
Não fique do lado de fora. Deus preparou uma festa para você.
Podemos fazer um paralelo com o jovem rico! Ele não se via participante da herança. Em Lucas 18:18-23, no relato do jovem rico vemos um rapaz que dizia: “A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?” Jesus manda ele vender tudo o que tem e entregar aos pobres. A questão aqui não é o dinheiro, mas Jesus viu nele um homem escravo do perfeccionismo e da ilusão de se justificar diante de Deus por seus esforços. Ele não se sentia participante da herança. Tanto o jovem rico quanto nós somos incapazes de cumprir a lei para sermos salvos. O que Jesus está fazendo nesse diálogo? Para você entender, pense na seguinte ilustração: Para você ganhar músculos, o professor leva você a usar pesos de 3 kg inicialmente, depois passa para 10 kg, e na medida que você responde, ele aumenta até o seu limite que pode ser 80 kg. Agora, imagine se você começasse com 80 kg. O que você me diria? IMPOSSÍVEL! Pois era isso que Jesus queria ouvir do jovem rico! “Mestre, é impossível”. Jesus lhe responderia: “Que bom”! Pare de merecer a graça de Deus. Pare de tentar ser merecedor daquilo que você jamais poderá merecer”. PARE DE VIVER COMO ESCRAVO, ou seja, como ALGUÉM QUE TEM A SENSAÇÃO DE QUE NUNCA FAZ O SUFICIENTE. Viva como FILHO! Como isso?

3.O filho se relaciona com o Pai baseado na confiança, mas o escravo se relaciona baseado na justiça própria (v.29)
Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua [...]
O filho mais velho representa aqueles que entenderam as regras, mas não entenderam o que significa ter um relacionamento com o Pai. Eles pensam: “Eu me comporto, sou uma pessoa correta, então mereço”. Ele vê o pecado do seu irmão com muita facilidade, mas não enxerga os seus próprios pecados ou é brando demais com eles. É rápido para condenar e fazer justiça porque vê a si como um padrão de obediência.
Quando Deus diz a respeito de Jesus: “Tu és meu filho amado. Em ti me comprazo (me agrado). O que mais agrada a Deus? O que agrada a Deus é A CONFIANÇA. A confiança possui dois elementos básicos: a) Elemento básico 1 – Intimidade. Identificamos aspectos da intimidade: I) O Pai lhe revela os propósitos – João 5:20;  II) O Filho é amado do Pai – João 5:20; III) O Pai e o Filho são um – João 17:21; b) Elemento básico 2 – Dependência. Identificamos aspectos da dependência: I) O filho faz o que vê o Pai fazer – João 5:19; II) O Filho se submete em obediência e dependência ao Pai – Mateus 26:42.
Toda batalha espiritual que você luta – na verdade, qualquer batalha espiritual – tem como centro a confiança em Deus. O inimigo trabalha para duas coisas desde o jardim do Eden: 1) Fazer os filhos de Deus duvidarem da confiabilidade em Deus; 2) Fazer os filhos de Deus confiarem em algo que não é Deus. O inimigo se dedica a nos convencer de que Deus está retendo algo bom de nós ou que está falhando em prevenir que coisas ruins nos aconteçam.
Entretanto, Deus quer que você hoje aprenda a viver como Filho! Você não é empregado ou escravo.
Evidentemente, todo bom filho que se sente amado tentará agradar seu pai. Nós também queremos agradar a Deus não para ser amados, mas porque nos sentimos amados. Esta precisa ser a motivação para aa nossa obra. Vamos trabalhar muito na obra, mas baseados numa relação de confiança e não de méritos. Gálatas 4:6-7 “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai”. De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”. Você é filho? O Pai vai lhe revelar seus propósitos; O pai te ama; Você e eu somos um com o Pai (João 17:21); Fazemos com Ele; Dependemos Dele ainda que seja para passar por testes de confiança como Jesus passou no Getsemani.

Rodrigo Rodrigues Lima
Pastor

Extraio do livro “O Líder que Brilha” escrito por David Kornfield a tabela abaixo para você identificar se vive mais como servo ou como filho. Seja sincero com você e ore para crescer na confiança:


1.Seu valor: (    ) É como servo/escravo? Baseia-se em seu serviço/ministério (no fazer). Tem valor enquanto serve. Seu valor depende do que faz; (    ) É como filho? Baseia-se na segurança de ser filho, valorizado pelo que é, não apenas pelo que faz;
2. Base para sentir-se bem: (    ) É como servo/escravo? Ser útil; agradar às pessoas; (    ) É como filho? Ser amado; sentir o prazer do Pai em si;
3.Conhecimento: (    ) É como servo/escravo? Precisa saber o que fazer; não precisa entender os propósitos por trás de suas ações; (    ) É como filho? O Pai revela seus propósitos; o filho entende o coração do Pai;
4.Motivação: (    ) É como servo/escravo? Obrigação, cumpre o que deveria fazer. Às vezes, compulsão de produzir, oi de agradar às pessoas; (    ) É como filho? Alegria, participa com o Pai em seu trabalho e seus propósitos;
5.Propósito de sua existência: (    ) É como servo/escravo? Trabalhar, ser produtivo, obter resultados; (    ) É como filho? Ser companheiro de seu Pai e crescer para com Ele;
6.Tipo de relacionamento: (    ) É como servo/escravo? Contratual: cumpre serviço em troca de benefícios;   (    ) É como filho? Aliança, relação de família: intimidade, carinho, afeto, amor, alegria e celebração;
7.Aproximação emocional: (    ) É como servo/escravo? Emocionalmente distante do seu chefe.             (    ) É como filho? Compartilha o espírito, herança e sofrimentos do Pai;
8.Consequencias da desobediência ou não de agradar: (    ) É como servo/escravo? Punido, rejeitado; afastado, mandado embora (Mt 24:48-51); (    ) É como filho? Disciplinado para ser restaurado (Hb 12:5-11);
9.Relação de seu trabalho com o seu superior: (    ) É como servo/escravo? Fazer o que o seu chefe lhe manda fazer, muitas vezes fazendo aquilo que não gosta. Subordinado, sem voz, sem poder de decisão; (    ) É como filho? Fazer o que o Pai está fazendo; parceria; o direito de expressar seus sentimentos e perspectivas;
10.Fonte de energia, força ou poder: (    ) É como servo/escravo? Esforço próprio, na espera de reconhecimento; (    ) É como filho? Graça, amor e aceitação como fonte para todo esforço (I Co 15:10)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Três sonhos de uma célula altamente eficaz

Três sonhos de uma célula altamente eficaz
Por Dave Earley

1.Saúde da célula
Um célula eficaz é saudável. O que a torna saudável é a Presença de Deus. As pessoas não vão à célula em primeiro lugar porque seus amigos estão ali, mas porque Deus está presente.

Barreiras para a saúde da célula:

a.Orgulho – Deus resiste aos orgulhosos (Tiago 4:6). Ele habita com o contrito (Isaías 57:15). Cultive a presença de Deus ao cultivar um espírito humilde de gratidão e dependência dele.
b.Pecado – Deus não nos ouve se houver pecado em nosso coração (Salmo 66:18). Os líderes devem abrir portas para a presença de Deus, confessando seus pecados (I João 1:9; Tiago 5:16) e ensinando os membros da célula a fazerem o mesmo;
c.Conflitos não resolvidos – Conflitos não resolvidos atrapalham nossa capacidade de nos aproximar de Deus (Mateus 5:23-24). Sejamos transparentes e não evitemos a solução dos conflitos. Ajude os membros das células a resolverem seus conflitos biblicamente.

2.Crescimento numérico da célula
Uma célula eficaz cresce em número. Tudo o que tem vida e é saudável cresce e se multiplica.

Barreiras ao crescimento:

a.Espaço físico limitado. “Você não consegue colocar dois litros de refrigerante em uma garrafa de um litro e meio. Se a sua célula está grande incentive micro-células e caminhe para a multiplicação.
b.Falta de vida espiritual. Ninguém gosta de estar em cemitério. As pessoas preferem estar numa festa, em lugares onde a vida é celebrada. Uma célula que não tem vigor espiritual não crescerá.
c.Falta de evangelismo intencional. Pessoas novas não aparecem por acaso. Elas precisam ser convidadas. Células que crescem tomam tempo semanalmente para orar pelas pessoas que desejam trazer para o grupo. Elas promovem eventos ponte, levam pessoas ao Encontro com Deus e todo o necessário para atrair novas pessoas para a célula.
d.Falha em manter contato com os membros. As pessoas acabam faltando na célula. Portanto, é necessário manter contato e acompanhar regularmente as pessoas.
e.Falta de atividades sociais para unir a célula e atrair novas pessoas. Uma célula eficaz entendeu que o seu trabalho não é apenas no dia da célula. Vai além! É necessário promover comunhão também e fazer desses encontros oportunidade para convidar até mesmo aquelas pessoas que são da igreja, mas que ainda não participam de células.
f.Falha do líder em dividir responsabilidades com os líderes em treinamento e demais membros da célula. O líder vai até um limite em termos de acompanhamento e estratégias. Quando o líder chega ao seu limite, a célula para de crescer. Portanto, é necessário dividir responsabilidades para que todos cresçam e a célula cresça junto.

3.Multiplicação da célula
O líder de célula eficaz vai ajudar a desenvolver outros novos líderes e novas células. Elas se multiplicam.

Barreiras na multiplicação:

a.Não ter e não mentorear líderes em treinamento. Novos células surgem na medida que surgem novos líderes. Um “célula grávida” é aquela que tem um líder em treinamento ou mais sendo preparados para, na ocasião certa, liderar novas células.
b.Falta de planejamento para a multiplicação. É necessário ter um plano de multiplicação.

O Sonho - Neemias 1:11

O sonho
Neemias 1:11

Amada igreja, nós somos a imagem e a semelhança de Deus. Deus imprimiu em nós aspectos da sua natureza numa proporção suficiente para refletirmos a Sua Glória. Uma delas é a capacidade de projetar, planejar, ter objetivos e novos sonhos.
C.S. Lewis escreveu: “Nunca é tarde para ter um novo objetivo ou sonhar um novo sonho”. Isso é divino.
Nosso Deus tinha projetos e sonhos para o seu povo: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55:8-9
O quão poderoso é ter um sonho, um desejo, um projeto, uma visão? Veremos a partir da vida de Neemias o quanto um sonho é poderoso. Ter um sonho é ter uma visão. Você e eu precisamos ter sonhos na vida e sonhos para a nossa célula. O sonho desenha a visão.
A partir de uma triste notícia Neemias começa a sonhar. Vamos ver como esse sonho de Neemias surgiu, se desenvolveu e se concretizou.

1.O sonho aumenta o nosso potencial (1:2-4; 11)
a.O sonho de Neemias ativou seu potencial a partir de um santo descontentamento (v.2-4). Diante do caos ou da mesmice algumas pessoas tendem a se conformar. Entretanto, um encargo tomou conta do coração de Neemias e ele começou a chorar.
b.O sonho de Neemias ativou seu potencial a partir da oração (v.11). Quem era Neemias? O copeiro do Rei. Uma posição de muita importância e alta confiança, o que poderia ser um grande impeditivo para seu sonho de restaurar os muros de Jerusalém. Entretanto, ele gera o seu sonho em oração.
c.Vamos aplicar esta palavra? A maioria das células e seus líderes são gigantes adormecidos. Satanás quer que eles permaneçam assim. Satanás é derrotado quando os líderes de células têm um sonho do que eles e suas células podem vir a ser.
O potencial muitas vezes não é percebido devido à falta de um sonho.
Alguém disse em certa ocasião que o potencial de um homem é medido pelos alvos que ele busca atingir. Peça a Deus um santo descontentamento e gere o sonho para a sua vida e para a sua célula em oração.

2.O sonho ajuda seu projeto se realizar (2:1-5; 8b)
Após aquele período de consagração, Neemias se apresenta um dia na presença do Rei Artaxerxes, mas seu semblante está pesado. Está no seu rosto o descontentamento.
a.O sonho deve estar estampado em nosso rosto (v.1-3). Esse é o primeiro grande passo para que os outros sonhem conosco. Neemias não pensava em outra coisa, por isso estava estampado em seu rosto em forma de tristeza. Os meus sonhos deixam estampados em meu rosto alegres expectativas. O sonho havia ganhado Neemias. Esse é o ponto, por isso, ele transpirava seu sonho.
b.O sonho deve ser compartilhado (v.4-5). O pedido é impossível de ser realizado, mas o sonho havia ganhado a Neemias e ele estava em constante oração. Para que o sonho se realize é necessário compartilha-lo. O sonho nos motiva. O sonho motivará a sua célula.  
c.O sonho deve ter uma estratégia realizável com uma estratégia clara e fácil de ser compartilhada (v.7-8). Observe que Neemias já tinha planejado. Ele sabia o que devia ser feito passo a passo. Como a sua célula pode realizar os sonhos de Deus?
O sonho é o que nos motiva. Sonhos ajudam no cumprimento de um propósito. Enquanto não sonharmos não seremos bem sucedidos no crescimento e na multiplicação.

3.Ter um sonho ajuda a manter o foco e canalizar a energia (2:7-8; 4:6; 6:3)
Neemias precisou se manter focado e canalizar todas as suas energias nesse grande projeto de reconstrução dos muros de Jerusalém. Somente um sonho, uma visão de onde queremos chegar, é que poderá nos manter focados e concentrando energia para alcança-lo.
a.É necessário manter o foco para seguir o planejamento (v.2:7-8). Conforme vimos anteriormente, o planejamento foi essencial. A falta de planejamento pode desordenar e perdermos a nossa visão e foco, nos levando a canalizar energia em várias frentes. Geralmente se trabalha muito e colhe pouco quando não se mantem o foco.
b.É necessário manter o foco e canalizar a energia para ter ânimo para trabalhar (4:6). Quando seguimos o planejamento com nossas células e na vida, celebramos passo a passo as nossas conquistas. Entre o seu sonho e o resultado final existe o foco e energia concentrada.
Sem alvos nós perdemos o foco, deixamos de canalizar nossa energia e somos impedidos pelos obstáculos. Líderes de células altamente eficazes têm um grande sonho fracionado em alvos específicos, alcançáveis e desafiadores.  Há pelo menos 7 alvos: 1) Oração; 2) Convidar pessoas; 3) Contatar os membros da célula; 4) Mentorear líderes em treinamento e auxiliares; 5) Ter atividades de comunhão como o evento ponte; 6) Crescer pessoalmente; 7) Multiplicação. Esses alvos compõem a agenda semanal desse líder.

4.O sonho prenuncia positivamente o futuro (2:20)
Quando Neemias recebe carta branca para agir, seu sonho começa a se tornar realidade e agora ele precisa compartilhar esse sonho com outros e o futuro começa a ser desenhado. Mas, há um detalhe aqui importantíssimo: O sonho não é apenas um desejo de Neemias, mas um se revela um projeto de Deus. Veja o que o texto diz: “O Deus dos céus nos dará bom êxito”. A isso damos o seguinte nome: CONVICÇÃO DIVINA. O sonho que prenuncia positivamente o futuro é aquele que se torna uma CONVICÇÃO DIVINA com alvos claros!
Joel Comiskey, um especialista em igrejas em células escreve:
“Líderes de célula que conhecem o alvo – quando suas células irão gerar uma nova célula – multiplicam as suas células de maneira regular e com maior frequência do que os líderes que não o conhecem. De fato, se um líder de célula falha em estabelecer alvos que os membros da célula podem recordar com facilidade, ele tem uma chance de cerca de 50% de multiplicar sua célula. Mas, se o líder é determinado nos alvos, a chance de multiplicação aumenta para 75%.

5.O sonho motiva os líderes a perseverar (2:19; 4:1; 6; 14-15; 6:3)
O sonho de Neemias, bem como qualquer outro sonho, enfrentará resistências e obstáculos. O que estamos fazendo é edificar a Casa de Deus, que são as vidas. Estamos enfrentando uma grande batalha espiritual, portanto, não nos iludamos. Enfrentaremos resistências.
a.O sonho de Neemias enfrentou zombaria e desprezo (2:19). Não será diferente conosco.
b.O sonho de Neemias enfrentou crises internas (5:6-12). Neemias teve que administrar e solucionar conflitos entre o próprio povo. Não será diferente em nossas células.
c.O sonho de Neemias enfrentou conspiração (6:3). Entretanto, Neemias não deixa que essas conspirações o tirem do foco.
Liderar uma célula também inclui contratempos, entretanto, os sonhos ajudam um líder a persistir apesar dos obstáculos. Os obstáculos podem ser descritos como “aquelas coisas terríveis que você vê quando tiram os olhos do seu alvo.” Líderes de células altamente eficazes sabem que ter alvos a longo prazo os protege de ficarem frustrados por fracassos temporários.

Concluo afirmando que os sonhos que Deus tem para cada um de nós e para as nossas células vão além da nossa compreensão. Portanto, Devemos agora pedir a Deus que nos dê ousadia e nos conduza a sonhar os seus sonhos.

Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor

Pequenas Reflexões - 22/01/2018: "Filho ou empregado?"

Pequenas Reflexões - 22/01/18
Filho ou empregado?
Lucas 15:31

Um rapaz muito dedicado procurou agradar ao seu pai trabalhando duro na empresa. Era o primeiro a chegar, entregava os relatórios em dia e era muito zeloso.
Um dia seu irmão caçula e gastão que estava desaparecido retornou aos cacos e tdiferente para casa e seu pai lhe deu uma festa para celebrar a vida.
O filho dedicado ao ver aquela recepção ficou bravo com a atitude do pai e resolveu jogar na cara todo o seu esforço de excelente empregado. O pai sabiamente lhe disse: “Por que você pensa e age como empregado? Você é meu filho! Tudo o que eu tenho é seu também”. 
Essa história te lembra uma parábola, certo? Bem, em seu ministério e em sua vida como um todo, você tem agido como filho ou como empregado? No seu coração você vive como filho ou como empregado? Deus o tornou filho! Viva segundo a sua nova identidade.

Pr Rodrigo 
Igreja Metodista Livre de Vila Moraes

sábado, 13 de janeiro de 2018

Identidade, poder e missão! (PARTE 1) - Marcos 1:9-17

Identidade, poder e missão! (PARTE 1)
Marcos 1:9-17

Há princípios valiosos a respeito da vida e do ministério de Jesus que são norteadores para nós. Como discípulos do Mestre seguimos suas pegadas e valores sendo reflexo Dele em nós. Ele é o nosso mentor-mor, nosso Senhor absoluto e modelo. Jesus é o parâmetro para as nossas escolhas e ações.
A vinda de Jesus à terra inaugurou o Reino de Deus (Marcos 1:15). Ele veio para buscar e salvar o perdido (Lucas 19:10). Ele é a Rocha sobre a qual estabeleceu a Sua igreja (Mateus 16:18). Ele nos salvou e agora nos fez ministros da reconciliação (II Coríntios 5:18). Edificamos a sua igreja, o Corpo de Cristo (Efésios 4:12). Edificar é reconstruir. Edificar o corpo é, na verdade, reconstruir pessoas. Reconstruir casamentos, reconstruir a identidade e restabelecer a aliança com Deus. Edificação é transformação. Deus nos tornou agentes desse Reino e dessa edificação. Mas, como isso se dá?
Quando olho para vida de Jesus, observo que o que Ele realizava tinha muito mais a ver com quem o designou, o Pai. Na obra de Deus, a nossa missão tem muito mais a ver com quem nos chama ou escolhe do que com o que fazemos. É relacionamento com Deus e vocação de Deus. Deus nos escolheu para sermos conforme a imagem de Jesus (Efésios 1:4), ou seja, Ele não disse para sermos, mas nos escolheu para sermos. É completamente diferente! Se sou algo, sou porque Ele me escolheu, me chamou, me separou para ser algo Nele. Ele não quer que você seja um instrumento de benção, pois, se Ele escolheu você, logo, você é um instrumento de benção!
A porção de Marcos 1:9-17 nos mostra a fonte de identidade, a fonte do poder e a fonte da missão de Jesus baseado em quem Ele é e não no que Ele pode fazer. Porque Ele foi enviado pelo Pai, sendo um com o Pai, pode cumprir sua vocação, o seu chamado.
Se sou algo, sou porque Ele me escolheu, me chamou, me separou para ser algo Nele. Ele não quer que você seja um instrumento de benção, pois, se Ele escolheu você, logo, você é um instrumento de benção! Assim sendo...

1.Jesus rompeu com o lugar das improbabilidades (v.9)
a.Jesus veio de um lugar improvável (v.9). Jesus era de Nazaré. Nazaré era um vilarejo muito pequeno, portanto, um lugar desprezado. No evangelho de João 1:46 está registrado o diálogo entre Felipe e Natanael. Este, sem cerimônias pergunta: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”
b.Jesus veio de um lugar de incrédulos quanto ao seu ministério (Marcos 6:1; 3; 5). Apesar de pequena, Nazaré se escandalizou com Jesus. Eles não enxergavam em Jesus o Filho de Deus, o escolhido e vocacionado, mas o filho de Maria e José. A incredulidade, fruto da familiarização, impediu que Jesus realizasse milagres. O incrédulo não vê a ação de Deus, mas as limitações do homem. O familiarizado não acredita que Deus possa estar escolhendo o improvável, porque vê segundo a perspectiva humana como ocorreu com Davi.  

O que eu aprendo com essa situação? I) Uma vez escolhido por Deus, não existe lugar ou pessoa improvável e muito menos limitações que impedirão a realização da obra de Deus; II) Uma vez escolhido por Deus, você poderá suscitar inimigos e resistências, mas deverá manter-se firme na sua vocação, afinal, você é um escolhido de Deus. É por isso que você pode liderar uma casa de paz e uma célula! Não porque você seja capaz, mas porque Deus escolheu você para fazer discípulos, para influenciar, enfim, para liderar.

Agora, para aqueles que não acreditam que Deus possa usar fulano ou beltrano, ou que não possa realizar maravilhas em nosso meio, os escolhidos não ficarão limitados aqui. Deus os levará para outro lugar! Se quisermos ver sinais de Deus em nosso meio, precisamos crer que Deus pode usar do mais simples ao mais capaz em nosso meio. Deus não está limitado por nossa história de vida, por nossos poucos recursos ou qualquer outra coisa, mas a nossa incredulidade pode sim limitar a ação de Deus em nosso meio.
Se você não crê que Deus está agindo e falando na vida do seu pastor, líder ou irmão, pouco você poderá experimentar da ação de Deus. Não compete a nós julgar, mas compete a nós ajudar, potencializar e guiar porque somos escolhidos de Deus e é isso que nos levará a avançar.
Amada igreja, Jesus não se deixou limitar. Ele partiu dali (Lucas 4:30). Entretanto, também há aqueles que sofrem da “síndrome de Nazaré”. Ao invés de se verem escolhidas e vocacionadas, como de fato são, elas preferem limitar a si mesmas. Essas pessoas limitam a ação de Deus sobre si mesmas, pois, não usufruem da sua real identidade (v.11). “Tu és meu filho amado”.
Se sou algo, sou porque Ele me escolheu, me chamou, me separou para ser algo Nele. Ele não quer que você seja um instrumento de benção, pois, se Ele escolheu você, logo, você é um instrumento de benção! Assim sendo...

2.Jesus tinha visão espiritual e recebeu poder para o seu ministério (v.10)
a.O poder vem do alto (v.10) É possível termos um ministério poderoso e abençoado igual ao de Jesus. Para isso precisamos de revestimento do alto. Jesus não faz nada sem antes receber o revestimento e a capacitação. Ele enfrentaria desafios e dificuldades, por isso, precisava de poder. Nós também enfrentaremos desafios e dificuldades, mas temos conosco o poder! Qual foi a ordem de Jesus aos seus discípulos? “Fiquem em Jerusalém até que sejam revestidos de poder do alto” (Lucas 24:49). O que é o alto, senão de cima, do céu? De onde veio a pomba que pousou sobre Jesus? O Espírito desceu do céu! Eu tenho que nascer do alto para pensar e agir como alguém do alto e que recebe poder do alto! A igreja precisa de revestimento para viver sua nova identidade e cumprir sua missão (Atos 1:8).
O que ocorre com alguém que vive segundo a sua identidade de filho (Marcos 1:10) e assume sua missão (Marcos 1:15)?
I.Recebe poder para resistir às tentações e ao pecado (1:13). Esse poder capacitou a Cristo. Quero dizer que não se busca poder para vencer as tentações, porém, pelo fato de estarmos cheios de poder é que venceremos as tentações. As tentações sempre existirão. Não apenas tentações sexuais ou financeiras, mas tentações de orgulho, de manipulação, de invejas, tentações fruto da vaidade e do uso do poder para benefício próprio. Ser cheio do Espírito é ser cheio de Deus, logo, uma vez cheios de Deus não haverá espaço para pecado. Isso significa dependência de Deus e direção, que é uma vida no Espírito, uma vida no poder (João 3:8); II.Recebe poder para proclamar a mensagem de arrependimento (1:15). Esse é o processo natural que descrevemos ao observar a igreja primitiva. “Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse...” (Atos 4:8); “Ao verem a ousadia de Pedro e João...” (Atos 4:13); “...cheios do Espírito Santo...com ousadia, anunciavam” (Atos 4:31). Isso significa dependência de Deus e direção, que é uma vida no Espírito, uma vida no poder (João 3:8)
b.O poder é revestimento para o ministério (v.10) Deus derramou o Seu Espírito sobre nós para cumprirmos a missão porque somos escolhidos Dele! Jesus, ao receber esse revestimento, no dia em que foi rejeitado em Nazaré, abre as Escrituras em Isaías 61:1-2 e nos mostra o que significa ser o escolhido, o enviado e o que significa receber revestimento do Espírito conforme registra Lucas 4:18:19 e essa palavra é para todo aquele que é Filho de Deus. Abra comigo e leia comigo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor”. Igreja, isso não é um peso sobre nós como se fosse uma obrigação ou dever, não! Essa não é a nossa identidade, não. Esse texto é um empoderamento que recebemos, é poder! É autoridade! É vida de Deus através de nós. O Espírito do Senhor está sobre nós e nos ungiu para sermos agentes de transformação, de reconstrução de lares, de vidas, de pessoas quebradas e destruídas. Elas estão por aí e nós somos o que somos com esse poder sem igual. Satanás pode criar suas armas espirituais de última geração, mas nós detemos a maior tecnologia e nessa história já sabemos o resultado final. “As portas do inferno não prevalecerão contra a igreja do Senhor.

Rodrigo Rodrigues Lima

Pastor